Memórias 57 CRÔNICA DE UM INDUSTRIAL

31.01.2018

Como o mercado é do ocupante, muitos fazem cinema para os festivais e não necessariamente para o público que paga, ou mesmo para os poucos que ainda pensam. O filme passa (quando passa!), e o crítico almofadinha discursa entre traques e elogios! No fim da festa canta uma área do "Guarani", bebendo guaraná com pinga! Histriônico quer aparecer ser o que não é: um cineasta frustrado com as palavras! Tive ocasião de estar em Berlim e Cannes com duas joias de inovação possível. Vaiado em Berlim com o JARDIM DAS ESPUMAS e relativamente bem aceito (mais pelas mulheres!), em Cannes com a CRÔNICA DE UM INDUSTRIAL. Como o filme estava proibido para fora e para dentro só foi exibido na QUINZENA DOS REALIZADORES. Liberado para essa exibição pelo ministro Reis Veloso, a pedido do Nelson Pereira dos Santos. Os "coleguinhas" que lá estavam torceram o nariz! O acharam por demais difícil. Como se fosse fácil fazer um filme pensado na ditadura! Em Cannes recebi algumas proposta de venda, mas como estava proibido não deixaram o filme ser vendido ou mesmo trocado por latas de filme. Em síntese desvalorizaram o filme até onde foi possível! Em ditaduras valorizar o saber e o pensamento está fora de questão! Barbalho o crítico bufão que falava javanez, fez um discurso confuso e desmaiou depois de tanto beber. Se o filme já era difícil, o crítico bufão o complicou ainda mais! Num espaço totalmente americanizado queria defender mais o seu ego caipira. Como eu ja disse Coppola lá estava mostrando o seu APOCALIPSE, num porta-aviões para os soldados graduados que sobreviveram a guerra da Indochina! Saiu levando merecidamente a Palma de Ouro. Nosso CRÔNICA pouco tempo depois estava esquecido. Esquecido lá e proibido aqui! Escovão o crítico venezuelano que se dizia baiano de coração, só vivia pedindo dinheiro para comer. Também queria ser cineasta! Passou boa parte do festival no banheiro. Voltei ao Brasil! Anos depois recebi os laudos da censura só elogiando o filme, mais que o mantiveram interditado pois achavam que havia propaganda subliminar Brechtiana! Triste momento, triste país! (P/Renata Saraceni) Luiz Rosemberg Filho/RÔ